Os hormônios femininos desempenham um papel crítico no corpo da mulher, regulando uma ampla gama de funções biológicas que vão desde a reprodução, metabolismo, manutenção de órgãos e sistemas do corpo, até o bem-estar emocional e mental.
Compreender como esses hormônios funcionam e o que fazer para ajudar a mantê-los equilibrados é fundamental para promover a saúde, auxiliar na prevenção de doenças e ajudar a garantir o bem-estar ao longo da vida da mulher.
1. O Papel Vital dos Hormônios Femininos
Hormônios são substâncias químicas muito poderosas que passam instruções para as células e órgãos.
São fabricados e secretados pelas glândulas endócrinas, localizadas em diferentes partes do organismo, como hipotálamo, hipófise, pineal, tireoide, paratireoide, suprarrenais, pâncreas, testículos e ovários.
Cada uma destas glândulas produz e libera na corrente sanguínea diferentes hormônios que, em conjunto, vão determinar nossa disposição, libido, sono, estado de alerta, vitalidade, funcionamento cerebral, massa muscular, saúde óssea, tendência a engordar ou emagrecer, e muito mais.
É a proporção entre certos hormônios que nos faz ter as características biológicas e até psicológicas de homem ou de mulher.
Os dois principais hormônios femininos são o estrogênio e a progesterona. A testosterona também é importante e está presente no organismo feminino, mas em quantidades bem menores do que nos homens.
Os Hormônios Femininos
Vamos abordar os principais hormônios femininos – estrogênio e progesterona -, junto com a testosterona; mas é importante mencionar que existem ainda outros hormônios femininos, como hormônio folículo estimulante (FSH), hormônio luteinizante (LH), prolactina, além dos hormônios comuns a homens e mulheres, como TSH, cortisol, insulina, melatonina, para citar apenas alguns.
Progesterona
A palavra “progesterona” significa “pró-gestação”, ou seja, é indispensável para que a mulher possa engravidar. É um hormônio diretamente relacionado aos ciclos reprodutivos. Isso significa que na infância, antes de começar a menstruar e na idade madura, após a menopausa, a produção natural de progesterona é muito pequena no corpo da mulher.
Isso acontece porque ela é produzida pelo corpo lúteo, uma estrutura dentro do ovário, que só é gerada após a ovulação. Se a progesterona fica baixa, a mulher pode se sentir mais ansiosa, com dificuldade para dormir e com sintomas mais intensos na TPM.
Níveis baixos de progesterona se relacionam à infertilidade e podem estar na raiz de alguns casos de perda do bebê durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre.
Mas a progesterona não serve só para a fertilidade e geração de um bebê. Ela apresenta diversos efeitos benéficos para a mulher, tendo ação protetora contra a formação de cistos e o crescimento anormal de células, calmante, sendo muito importante para o equilíbrio emocional e para uma boa qualidade de sono, ajuda a reduzir a inflamação, contribui para a função imunológica, ajuda na preservação óssea, protege o coração e aumenta a taxa metabólica.
Com o avanço da idade, a progesterona vai gradualmente diminuindo, podendo contribuir para alguns sintomas desagradáveis do climatério, como maior dificuldade para dormir, alterações no ciclo menstrual, TPM mais forte, dentre outros.
Estrogênio
O estrogênio é o principal responsável pelas características da mulher. É ele que estimula o desenvolvimento dos seios e dos depósitos de gordura nas coxas e bumbum durante a puberdade e adolescência.
O estrogênio é produzido em pequenas quantidades desde a infância, aumenta durante o período fértil e, embora sua quantidade caia muito no climatério e menopausa, ainda assim a mulher continua produzindo pequenas quantidades pelo resto da vida.

Ele possui muitas funções no corpo da mulher:
- Função reprodutiva;
- É muito importante para a saúde óssea;
- Contribui para a integridade e viço da pele;
- Ajuda na musculatura;
- Afeta o comportamento alimentar e o humor;
- Influencia a libido e a lubrificação vaginal;
- Protege o coração e os vasos sanguíneos;
- Atua no equilíbrio da insulina;
- Participa da qualidade do sono;
- Favorece a imunidade;
- É neuroprotetor.
Testosterona
Apesar de ser conhecida como o hormônio sexual masculino, a testosterona é um hormônio muito importante para a mulher.
As principais funções da testosterona nas mulheres são vitalidade, saúde metabólica, desenvolvimento e manutenção de massa muscular, cognição, libido, desejo sexual e proteção cardiovascular
2. Hormônios e Saúde Física
Conforme citado, os hormônios femininos desempenham um papel crucial na saúde física das mulheres. Durante a fase reprodutiva, o estrogênio e a progesterona são essenciais para a ovulação e a fertilidade. Além disso, o estrogênio tem um impacto significativo no metabolismo, ajudando a regular o peso corporal e a distribuição de gordura.
A falta de estrogênio na pós-menopausa está associada a uma diminuição da densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose. A progesterona reduz a inflamação, contribui para a função imunológica, para a preservação óssea, protege o coração e aumenta a taxa metabólica.
3. Hormônios e Bem-Estar Emocional
Os hormônios femininos também desempenham um papel importante no bem-estar emocional das mulheres. Flutuações hormonais ao longo do ciclo menstrual podem afetar o humor, a cognição e a energia.
Por exemplo, muitas mulheres experimentam mudanças de humor durante a fase pré-menstrual devido a alterações nos níveis hormonais.
Além disso, a menopausa pode estar associada a sintomas como ansiedade, depressão e irritabilidade devido a alterações hormonais e à diminuição tanto de estrogênio, quanto de progesterona e testosterona.
A progesterona ajuda na qualidade do sono, bem-estar e relaxamento, o estrogênio é neuroprotetor e maiores níveis estão associados à prevenção do Alzheimer.
4. Otimizando a Saúde Hormonal
Os níveis dos hormônios femininos podem ser influenciados por inúmeros fatores. Para maximizar a saúde hormonal é importante evitar uma alimentação baseada em ultraprocessados, frituras e fast food, o excesso de álcool, tabagismo, sedentarismo e excesso de estresse.
Uma alimentação colorida, rica em vegetais variados, boas gorduras e boas proteínas traz o benefício de muitos compostos e nutrientes anti-inflamatórios e antioxidantes.
O que faz a cenoura laranja, as folhas verdes, a amora roxa, a melancia e o tomate vermelhos, o salmão selvagem alaranjado, são pigmentos naturais que também possuem benefícios para a saúde.
Licopeno, carotenoides, clorofila, antocianinas e diversos outros compostos fornecem cor e propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias para os alimentos.

Por isso, uma alimentação voltada para a saúde dos hormônios femininos deve incluir:
- Legumes e folhas: como brócolis, couve, salsão, erva-doce, espinafre, pepino, abobrinha, abóbora, repolho, couve-flor, rúcula, cebolinha, salsinha, manjericão, coentro, etc.
- Frutas azedas e de cores intensas: uvas, cerejas, amora, framboesa, mirtilo, morango, acerola, limão, maracujá, etc.
- Frutas com alto teor de gordura: abacate, coco, açaí.
- Azeite de oliva.
- Peixes gordurosos: salmão selvagem, sardinha, arenque, cavala e anchovas,
- Amêndoas, castanhas, nozes e sementes.
Frutas e vegetais podem reduzir a inflamação e proteger o corpo de inúmeras maneiras, além disso fornecem fibras que alimentam as populações de bactérias benéficas, que secretam moléculas anti-inflamatórias.
Além disso, chocolate amargo e cacau em pó, especiarias como cúrcuma, cravo, tomilho, orégano, canela e chás, incluindo chá verde, de gengibre, tulsi, matchá são riquíssimos em fitoquímicos benéficos.
Os peixes são uma ótima fonte de proteína e dos ácidos graxos ômega-3 de cadeia longa EPA e DHA. Embora todos os tipos de peixes tenham alguma quantidade de ômega-3, as melhores fontes são salmão selvagem, sardinhas, arenque, cavalinha, anchovas e atum.
Os ômegas 3 EPA e DHA favorecem os mecanismos anti-inflamatórios naturais do organismo, ajudando a reduzir a inflamação. O azeite de oliva extra virgem é outro óleo benéfico, rico em antioxidantes, um alimento básico na dieta mediterrânea, que é reconhecidamente uma das dietas mais saudáveis.
Uma alimentação pobre em fibras e rica em alimentos refinados favorece as espécies de bactérias que causam inflamação, não só nos intestinos, mas no corpo todo, pois produzem toxinas que vão para a corrente sanguínea. Esse desequilíbrio de espécies no intestino e a inflamação crônica afetam os níveis saudáveis dos hormônios femininos.
Por outro lado, uma microbiota (o nome do conjunto de populações de bactérias) saudável gera subprodutos químicos anti-inflamatórios e protetores que beneficiam a saúde, combatem a inflamação e favorecem a saúde hormonal.
Além da alimentação, a prática de atividade física, o gerenciamento do estresse e dormir com qualidade e quantidade são fundamentais para os hormônios femininos saudáveis.
5. Conclusão
Em resumo, os hormônios femininos desempenham um papel fundamental na saúde e no bem-estar das mulheres, influenciando aspectos que vão desde a reprodução até o humor e o metabolismo. Compreender esses mecanismos e adotar medidas para apoiar a saúde hormonal é essencial para promover uma vida saudável e equilibrada.
Você pode encontrar pistas dos seus níveis hormonais de acordo com as diversas manifestações do seu corpo e dos seus ciclos, mas o acompanhamento através de exames se torna cada vez mais importante conforme a idade avança.
Se você monitora seus hormônios junto de um bom profissional, pode fazer ajustes de alimentação, suplementação, estilo de vida e acompanhar de modo preciso o quanto tudo isso está impactando os hormônios femininos.
Estudos:
Luine VN. Estradiol and cognitive function: past, present and future. Horm Behav. 2014;66(4):602-618. doi:10.1016/j.yhbeh.2014.08.011
Nirgianakis K, Egger K, Kalaitzopoulos DR, etal.Effectiveness of dietary interventions in the treatment of endometriosis: a systematic review. Reprod Sci. Published online March 24, 2021. doi:10.1007/s43032-020-00418-w
Hashim MS, Obaideen AA, Jahrami HA, et al. Premenstrual Syndrome Is Associated with Dietary and Lifestyle Behaviors among University Students: A Cross-Sectional Study from Sharjah, UAE. Nutrients. 2019;11(8):1939. Published 2019 Aug 17. doi:10.3390/nu11081939